Harry and the Potters: “Música não tem restrição de idade”

Primeira turnê – 2004
A onda de bandas inspiradas nos livros de J.K.Rowling parece não ter chegado ao Brasil, mas nos Estados Unidos elas são muitas e se tornaram um verdadeiro movimento musical. Essas bandas se inspiram em personagens – como Draco and the Malfoys e The Remus Lupins -, plantas – Whomping Willows -, e até em dragões, como a The Hungarian Horntails, um grupo cuja soma total de idade está longe de ultrapassar os 30.
Os pioneiros do wizard rock foram Paul e Joe DeGeorge, que, em 2002, improvisaram algumas músicas sobre o bruxinho num churrasco ao qual as bandas convidadas não compareceram. Surgiu daí a Harry and the Potters.
No site oficial da banda o texto de apresentação deixa claro o tom brincalhão dos “Potters”:
Imagine se Harry Potter desistisse do quadribol e criasse uma banda de punk rock. Dê um passo à diante e imagine que ele roubou um vira-tempo e decidiu tocar nessa banda com ele mesmo de alguns anos antes. Imagine que a banda pudesse existir sem comprometer os dois Harry de períodos diferentes. Imagine agora se eles pudessem atuar de forma completamente independente, sem gerentes, agentes, orçamentos, assessores, gravadoras, ou qualquer outra coisa além de entusiasmo e desejo de se divertir.
Olá. Nós somos Harry and the Potters. 
Paul e Joe DeGeorge começaram a tocar em 2002, quando ainda tinham 23 e 14 anos. Ao subirem no palco como Harry do 7º e Harry do 4º ano tocam punk rock e atraem um público de até 15.000 pessoas. No auge do fandom Potteriano, quando os livros ainda estavam sendo lançados, eles faziam mais de 100 shows por ano e, na estréia do quinto livro, fizeram 5 shows em 24 horas.
Agora, quando o fandom já não é mais tão ativo e todos os livros foram lançados, os meninos continuam os shows, mas se dedicam à causa da alfabetização e direitos humanos. Com o Wizard Rock EP of the Month Club, produziram CDs de outras bandas de wizard rock para arrecadar dinheiro para organizações sem fins lucrativos que promovem a leitura. Com a Harry Potter Alliance já doaram, entre outras coisas, mais de $123,000 dólares para as vítimas do Haiti e 55.000 livros para entidades ao redor do mundo, atraindo a atenção da grande mídia e da própria J.K.Rowling.
2006
Paul De George, o irmão mais velho e Harry Potter do 7º ano quando sobe aos palcos, deu uma entrevista exclusiva para o blog Harry e seus fãs.
O que vocês faziam antes de formarem a Harry and the Potters?
Joe tinha 14 anos quando nós começamos a tocar como Harry and the Potters, então ele ainda estava na escola. Na época, ele tocava numa banda chamada Ed and the Refridgerators. Eu tinha feito 23 anos. Estava tocando numa banda indie de Boston que estava prestes a acabar e trabalhava como engenheiro numa empresa de vacina. Inicialmente, nós pensamos em Harry and the Potters como um trabalho paralelo, para tocar rock para crianças em livrarias nos finais de semana. Eu não sei se nós algum dia imaginamos que isso nos levaria a tantos lugares nos últimos nove anos.
 
Ann Arbor – 2006
 
O que é o “wizard rock”?
Wizard rock é um pequeno gênero de música em que bandas tocam sobre os livros de Harry Potter. Podem ser músicas sob a perspectiva de um personagem – a Harry and the Potters compõe e toca sob a perspectiva de Harry – ou pode ser sobre os livros e seu impacto no mundo. Na verdade, o gênero não é mais tão pequeno. Acredito que tenha agora quase 1000 bandas diferentes que se consideram parte do Wizard rock. Muito legal!
Louisville – 2006
Como suas vidas mudaram depois de terem criado a banda?
Completamente. Há seis anos a banda ficou famosa a ponto de eu poder largar meu emprego e me dedicar integralmente à música. Joe tirou um ano de folga entre o colégio e a faculdade e nós trabalhamos muito. O sucesso da banda me deu muita confiança e isso nos incentivou a buscar novos projetos como o Harry Potter Alliance. Além disso, a banda permitiu que viajássemos os Estados Unidos e o mundo. Nós vimos tantas coisas, comemos comidas maravilhosas e conhecemos pessoas incríveis. Eu conheci a maior parte dos meus amigos mais próximos durante as turnês e isso talvez tenha sido o melhor de toda essa experiência.
 Como vocês compõem as músicas? Para você, além de Harry Potter, qual é o personagem mais inpirador?
O conceito da nossa banda é que Harry Potter do 7º ano de Hogwarts viaja no tempo para começar uma banda com ele mesmo, o Harry do 4º ano. Então todas as músicas que nós escrevemos são sob a perspectiva de Harry. Nós tentamos canalizar as emoções dele. Quando nós escrevemos as músicas nós nos perguntamos como Harry reagiria numa determinada situação se ele tivesse uma banda de rock.
Eu acredito que Dumbledore é uma figura inspiradora. Ele é um modelo muito importante para Harry e é isso o que o torna tão atraente.
Qual música que você mais se divertiu compondo?
Hmmm.. essa é uma questão interessante. Às vezes as músicas vêm muito rápido e ficam prontas na medida que tocamos pela primeira vez. Enquanto outras nós passamos meses trabalhando. Quando você leva meses numa única música nem sempre é divertido, mas no final, é, eu espero, algo que você se orgulha. Eu me sinto assim sobre “Phoenix Song”, porque é a música que nós levamos mais tempo escrevendo e gravando. Mas mais divertida? Eu teria que dizer “Plataform 9 and ¾”. Foi a primeira música que nós escrevemos para a banda e estabeleceu um som muito bom para trabalharmos. E ela ficou pronta em um minuto!
O que você mais gosta nas turnês?
Tem tantas coisas que nós adoramos nas turnês. A comida, os amigos, dirigir, a aventura. Mas acima de tudo, nós adoramos a oportunidade de proporcionar um bom momento. Nós levamos nosso trabalho muito a sério e ficamos honrados com o fato das pessoas gastarem seu tempo para ver nossa banda tocar. Então, quando subimos no palco, damos nosso máximo e tentamos fazer o melhor show possível. Toda noite. Quando o público entra no clima e curte com a gente, então nós criamos algo realmente mágico.
No livro Harry e seus fãs fica subentendido que vocês seguem um tipo de “ética de Harry Potter” na hora de escolher onde tocar, como compor e como lidar com o público. Por que vocês fazem isso? Isso é, de alguma forma, resultado da pressão que vocês sofreram pela Warner Brothers?
Nós vemos essa banda como nossa arte e queremos que ela seja consistente e tenha nossos valores. Dessa forma, não é preciso uma “ética de Harry Potter”, apesar de, às vezes, os valores presentes no livro estarem em sintonia com os nossos. Acima de tudo, é uma política pessoal e nós tentamos tomar decisões como uma banda que é consistente com esses valores.
Nos Estados Unidos, por exemplo, música ao vivo não é tão acessível para os jovens. Existem clubes e bares onde as bandas tocam, mas o público é sempre maior de 18. Música não tem restrição de idade. Muitos jovens adoram música, muitas vezes com tanto ou mais entusiasmos que aqueles que podem freqüentar as casas de festa. Eu lembro como era quando eu tinha 16 e queria muito assistir os shows, mas não podia por causa das restrições de idade. Então, como uma banda, nós temos uma política de só tocar em shows sem restrição de idade. Eu sei que somos só uma banda, mas se pudermos dar o exemplo, como Dumbledore faria, quem sabe outras bandas façam o mesmo. Isso permitiria uma mudança cultural que tornaria a música mais acessível aos jovens.
Fayetteville – 2007
Essas pequenas “regras” constituem nossa banda. No início, nós talvez tenhamos agido com cautela para evitar problemas com a Warner Brothers, mas, honestamente, não tem havido muita pressão deles. No livro, Melissa fala sobre as conversas que tivemos com a Warner em 2005 e eles foram muito legais com a agente. Parabéns a eles, por reconhecerem a importância de uma base de fãs ativa e empenhada. Desde então, nos mantivemos consistentes em nossas próprias políticas, evitando pisar no calo deles.
Vocês alguma vez imaginaram que a banda ia durar até depois de todos os livros serem publicados? A banda vai continuar mesmo depois do último filme?
Portland – 2004
Nossas expectativas com a banda mudaram muito com o tempo. Sempre pensamos que sería fantástico se a banda durasse até o último livro. Mas já se passaram quatro anos e ainda estamos ativos, apesar de termos diminuído o ritmo. Entre 2005 e 2007 nós fazíamos de 120 a 130 shows por ano. Nos últimos anos temos feito algo em torno de 40. Depois do último filme eu acho que as apresentações devem rarear, mas não acho que vamos parar. Estamos sempre interessados em aventuras e a banda tem sido uma ótima forma de realizá-las. Quando idéias interessantes aparecem, estamos sempre prontos para a festa.
Qual é a reação das pessoas quando você fala que está numa banda sobre Harry Potter? Como sua família e amigos reagiram?
Vou ser o primeiro a admitir que só a premissa da nossa banda já é um absurdo, assim como fazer dela uma carreira. Mas esse é o principal motivo que faz isso tudo tão incrível. O mundo precisa de mais absurdos bem intencionados e, se nosso trabalho é proporcionar isso, então estamos felizes em fazê-lo. Não deixamos os preconceituosos nos afetarem. Hoje em dia, mais gente já ouviu falar da banda, mesmo que não entendam bem o que nós somos e qual é a nossa proposta. O fato de termos criado algo que penetrou de tal forma na cultura gera, no mínimo, uma reação tranqüila de reconhecimento pelas nossas realizações.
Vocês fizeram da banda uma plataforma para promover a alfabetização e o gosto pela leitura. Como foi receber o reconhecimento de J.K.Rowling pela iniciativa da Harry Potter Alliance?
Eu não vou mentir, foi um momento muito surpreendente e gratificante para todos os que estavam envolvidos com a Harry Potter Alliance. Nós tentamos nos manter fiéis aos ideais dos livros e de seus impacto no mundo. Apoiar a alfabetização e o acesso à leitura sempre foi a pedra angular tanto da Harry Potter Alliance quanto do Harry and the Potters – e parte do motivo pelo qual nós tocamos em livrarias. Trabalhar pelos direitos humanos, reforma da mídia e outras causas progressistas têm paralelos evidentes com os livros e é ótimo ter a bênção de J.K.Rowling para continuar nosso trabalho.
Os livros dela fazem um trabalho incrível em ilustrar o poder do indivíduo de promover a mudança no mundo e essa é uma mensagem muito inspiradora. Não importa se Harry e seus amigos são apenas crianças numa escola. Eles são completamente dedicados à amizade que eles têm e às causas pelas quais eles lutam. E a luta por esses ideais mudam o mundo bruxo. Estamos felizes em continuar a reforçar essa mensagem de poder jovem.
O que acharam?
Anúncios
Esse post foi publicado em Curiosidades, Entrevistas e marcado , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Harry and the Potters: “Música não tem restrição de idade”

  1. Dayse Dantas disse:

    Harry and the Potter é um clássico, mas minha banda de wrock preferida mesmo é Gred and Forge.

  2. muito interessante….
    vou montar minha banda tbm, e vai se chamar caçadores de horcruxes.

  3. Pingback: Música: piada interna |

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s