O fênomeno das fanfictions

Olá!

O universo mágico criado por J.K.Rowling foi tão rico em detalhes e personagens que, muitas vezes, parecia verdade. Afinal, quem nunca esperou pela carta de Hogwarts? Essa sensação de pertencimento, no entanto, ia além, e os fãs se sentiam no direito de questionar algumas escolhas feitas por J.K. ou (re)escrever a história para melhor atender às suas expectativas.

Essas histórias, chamadas de fan fictions, já existem há décadas e se popularizaram entre os fãs de Star Trek. Com o fandom de Harry Potter, no entanto, a relação entre escritor e leitor deixou de ser passiva.

Para se ter uma idéia, o maior site de fanfic no ar, o Fanfiction.net, tem 409.748 histórias disponíveis inspiradas na saga de Harry Potter. Destas, 16.079 são em português. O maior site de fics brasileiro, o Floreio e Borrões, do Potterish, tem 20.180 histórias cadastradas. Seja respeitando fielmente o cannon ou levando a liberdade criativa ao último nível, as fanfics ajudavam a saciar a curiosidade enquanto um novo livro não era publicado e, hoje em dia, satisfazem fãs que ficaram órfãos com o fim da série.

Pelo número de fanfics publicadas, é fácil deduzir que J.K.Rowling nunca proibiu a sua produção, como já fizeram outros autores. Mas isso não quer dizer que ela concordava com todas as idéias que surgiam dali. A discussão dos shippings deu o que falar e as farpas de alguns fãs inconformados sobrou até para a Rowling – como vocês podem ler aqui.

Para falar mais sobre o assunto, conversamos com duas autoras de fanfic: Queen Maeva e Babi Dewet.

Maeva

Maeva, do Murphy’s Library, criou o site Três Vassouras, que já foi o maior nome de fanfictions brasileiras. Hoje nenhuma de suas fics sobre Harry está online, mas ela tem um perfil no fanfiction.net onde vocês podem encontrar algumas fics que ela escreveu em parceria com a Mariana Kretschmer e a Diana Prallon. Ela também já participou do blog. Confiram o que ela respondeu no Conheça os fãs.

Babi Dewet

Babi Dewet é autora do livro Sábado à noite, fã de McFly e escrevia fics de Harry Potter sob o codinome de Luna Pankiston. Ela também já participou do blog. Confiram o que ela respondeu no Conheça os fãs.

Queen Maeva

- O que te motivou a escrever a 1ª fanfic?
Conversando com a Amanda SaturnVenus, autora de Novas Esperanças — primeira fanfiction de Harry Potter que eu li—, comentei com ela que eu não começava a escrever uma história minha porque eu estava em ano de vestibular. Pra minha surpresa, ela me respondeu dizendo que também estava — e que ela prestaria para Medicina —, então eu pensei “se ela pode, por que eu não posso?” e criei minha primeira fanfiction.
- Você continua escrevendo, mesmo com o final de Harry Potter?
Continuo escrevendo, mas não mais fanfictions. Há anos eu parei de escrever fanfictions, e tirei as minhas do ar. Hoje, olhando pra tudo o que eu escrevi, vejo quanta coisa ruim eu publiquei [risos]. Acredito que é um processo natural, todo autor precisa amadurecer sua escrita, aprender com os erros e seguir em frente.
- Para você, qual é o personagem mais interessante/inspirador?
O personagem que achei mais fascinante na saga toda foi o Snape, seguido por Tom Riddle, mas eu nunca cheguei a escrever nenhuma fanfiction com eles…
- O que faz a história de HP ser tão interessante para os autores de fanfiction?
Acho que o universo que a Rowling criou, como um todo, desperta nossa imaginação. Todos nós gostaríamos de poder vivenciar aquilo, de fazer parte desse mundo mágico…
- Na sua opinião, um autor de fanfiction é completamente livre na hora de escrever ou deve ser fiel ao livro/filme?
Depende. Há momentos para ser cannon nazi, seguir tudo à risca, mas também há momentos para deixar a criatividade fluir — não esquecendo de avisar ao leitor que a fanfiction é Universo Alternativo, acredito que seja válido fazer quase tudo.
- Muitos escritores de fanfiction passam a escrever as suas próprias histórias. Para você, a fanfiction foi um passo para escrever sobre personagens seus?
Com certeza! Estou há mais de um ano trabalhando numa história minha, e não teria descoberto o prazer de escrever se não fossem pelas fanfictions.
- Como surgiu a idéia de criar o Aliança 3 Vassouras? Conte um pouco sobre como foi administrá-lo, o que aprendeu, casos que você nunca vai esquecer. Como foi fechar o portal?
A ideia da Aliança 3 Vassouras foi de outros sites, mas que acabou nas mãos da Mile Black, do Pontas e Almofadinhas, que me convidou para o projeto. Na época eu tinha o Corujas de Hogwarts, que já publicava fanfictions. Chamei mais um site, uma escola de magia virtual (RPG) para que fôssemos 3 sites, e o 3V surgiu. Pouco tempo depois, o Pontas e Almofadinhas fechou, bem como o Corujas de Hogwarts, então era natural que a Aliança 3 Vassouras seguisse pelo mesmo caminho. Cheguei a parar de receber novas fanfictions no site, me propondo apenas a atualizar as já publicadas, mas que ainda estavam incompletas, mas os leitores, que ficaram “órfãos”, porque a Harryoteca estava sem atualizações na época também, me convenceram a reativar o site. Foi assim que o 3V ficou sendo um site exclusivamente de fanfictions, e por algum tempo foi o maior do Brasil.
Administrá-lo foi, ao mesmo tempo, um prazer e uma tortura [risos]. Tentei 2 alianças pra desenvolver um sistema que permitisse aos autores postarem diretamente suas fanfictions, mas enfrentamos diversos problemas e acabei desistindo, achei melhor continuar eu mesma atualizando. O problema é que, com o tempo, minhas responsabilidades na “vida real” foram ficando maiores, e eu tinha cada vez menos tempo pro site. O ponto final, o momento em que decidi fechar o site, foi quando ficou acertado que eu viria morar nos Estados Unidos. Eu sabia que não teria mais tempo pra me dedicar, e não queria fazer as coisas pela metade. Tenho planos de colocar o acervo do 3V de volta no ar um dia, mas não é nada certo. Tenho todos os arquivos salvos, só que eles não estão aqui comigo. Se tudo der certo, até o fim do ano eu os terei aqui e aí decido se sigo adiante com o projeto ou não.
Eu sempre digo que Harry Potter me trouxe os melhores amigos que tenho hoje, mas o fato é que se não fosse pelo 3V, eles não estariam na minha vida. Eu cresci muito junto com o site, aprendi muito, mas cresci e aprendi mais ainda com os amigos que fiz—aqueles que, mesmo longe de mim fisicamente, continuam ao meu lado até hoje. Isso é algo que eu jamais vou esquecer.
- Qual é o(a) seu(sua) autor(a) favorito(a) de fanfic?
Flora Fairfield, sem nem pensar. Além de uma ótima autora, ela era uma pessoa muito querida pra mim, e é uma pena que ela deixou esse mundo tão cedo… Ficou um buraco imenso, uma saudade doída, e lindas histórias pra contar.
- Quais são as “regras” para uma boa fanfic?
Eu diria que a regra principal é bom senso, o resto é consequência dela :)

Babi Dewet


- Desde quando você escreve fanfiction?
Desde que comecei a ler fanfictions de Harry Potter. Devia ser, mais ou menos, 2002 ou 2003.

- Quantas você já escreveu?

Muitas! Incontáveis, eu realmente não sei. São vários temas dentro do mundo de Harry Potter. Sempre usei muito os Comensais da Morte e escrevi até uma fanfic exclusiva sobre eles, sobre personagens dentro desse grupo, com nome de amigos e inspirados em amigos. Também gostava de escrever sobre D/G, Draco e Gina, que é meu casal-problema favorito de fanfics.
- Você publica todas?
Não, infelizmente nem todas. Publiquei muitas no antigo 3 Vassouras, que veio depois das Corujas de Hogwarts, dois dos sites mais famosos de fanfics da época em que eu participava dos fóruns. Depois de um tempo resolvi tentar o Fanfiction.net com algumas das HP que tinha feito e sairam essas: http://www.fanfiction.net/u/535134/Luna_Pankiston que acho até graça ler hoje em dia. Foram poucas publicadas nesse site, mas foi o que restou depois que todos os outros saíram do ar.

(Também é possível conferir fanfics da Babi Dewet no link: http://web.archive.org/web/20080430020455/www.alianca3vassouras.com/autores/674.html)

- Por que você acha que os fãs têm a necessidade de escrever fan fictions?
Acho que as fanfictions aproximam os leitores dos personagens e do mundo mágico, no caso de Harry Potter. E além do mais são formas de continuar lendo sobre o que gosta, mesmo quando a série acabou. Tem muito assunto, sempre, e as fanfics exploram isso.
- Para você, qual é o persongem mais interessante de se escrever?
Draco Malfoy! É um personagem tão pouco explorado pela Rowling e que tem tanta coisa pra se pensar…
- Você agora tem o seu próprio livro. De que forma escrever fanfics te ajudou nesse processo?
Ajudou muito. Na verdade foi minha porta pra expôr minha escrita porque, uma vez perdido o medo dos leitores e críticas com as fanfics, foi muito mais fácil aprender a lidar com as críticas do livro. Sempre sugiro as fanfics a quem gosta de escrever. É um modo quase em tempo real de se saber seus pontos fracos, sua forma de escrita, aprender a lidar com críticas e ainda se divertir com algo que é fã.

O que acharam?

E vocês, também escrevem fan fiction? Deixe o link no comentário!

Esse foi o último post do blog, mas a história dos fãs de Harry Potter não para aqui.

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Leandro Schulai fala sobre a influência de Harry Potter na sua carreira de escritor

Olá!

Para muita gente Harry Potter foi o primeiro livro. Para outros, a primeira  experiência na literatura fantástica. Para todos os que viveram esse fenômeno, ele foi inesquecível. A saga do bruxo marcou a vida de milhares de crianças, adolescentes e adultos, que por 10 anos viveram a expectativa de um novo livro, a esperança de um final feliz,  a emoção da morte de personagens que extrapolaram as páginas e se  tornaram tão importantes quanto se fossem reais.
Dessa geração de leitores, começam a surgir escritores que levam da história de J.K.Rowling a lição de que a imaginação não tem limites.

Um desses escritores é o paulista Leandro Schulai, autor do livro O Torneio dos céus, primeiro volume da série O Vale dos Anjos. Conversamos com o  autor de 25 anos sobre sua inspiração e a importância  de Harry Potter na sua carreira de escritor.


Por que você é fã de Harry Potter?

Pois para mim Harry Potter não é só um livro. É um mundo, um universo criado com todos os detalhes e curiosidades possíveis. Além disso a história trouxe tantos benefícios a literatura juvenil que não há como não ser fã desse fenômeno.

O que mudou em sua vida depois de ler Harry Potter?

Eu passei a enxergar os livros de maneira divertida. Antes ler era sinônimo de stress e perda de tempo, mas com Harry Potter ler se tornou algo tão prazeroso quanto jogar videogame ou jobar bola…

Se você pudesse fazer uma pergunta para J.K.Rowling, qual seria?

Quando ela criou a história de Harry Potter onde ela se imaginou chegando?

Qual é o seu livro favorito da série e por quê?

O prisioneiro de Azkaban, pois tem a maior reviravolta de toda a série e a trama mais engraçada e claro a melhor partida de Quadribol!!

Qual é o seu personagem favorito? Você se inspirou nele para escrever algum personagem do seu livro?

Professor Snape! Me inspirei sim no meu mestre Ramirez. Não pelo jeito ranzinza, mas pelo mistério e passado obscuro e a habilidade de enganar as pessoas jogando apenas a aparência delas. Isso a JK fez com maestria.

De que forma Harry Potter te inspirou a escrever?

Me inspirou, pois vi nos livros algo divertido e vi que poderia escrever algo que entretesse as pessoas e quando vi amigos meus rindo e comentando a leitura de HP percebi que poderia seguir por esse caminho, então afirmo que HP abriu as portas da minha escrita permitindo enxergar esse tipo de história e situação que antes não existia.

A J.K.Rowling tinha um aposição tranqüila quando o assunto era fanfiction. Sua opinião deve ser parecida, já que publica algumas no seu site. Para você, qual é a importância das fanfics? Como você se sente ao ler uma? Afinal, são os seus personagens e é um mundo que você criou.

As fanfics permitem enriquecer o mundo criado pelo autor e trazer leitores novos, eu sou totalmente a favor desse tipo de criação, pois trás até mesmo novos escritores a um mundo pouco conhecido.

Os leitores influenciam de alguma forma o que você está escrevendo agora? Por exemplo, quando você lê as resenhas, repensa o que estava escrevendo ou acha mais importante ser fiel às suas idéias.

Acho que as resenhas quando criticam um erro na história, um comportamento estranho do personagem ou alguma inconsistência vale a pena ser alterada na história original. Agora quando eles criticam a sua narrativa ou o seu jeito de escrever não vale a pena você mudar a história pois isso alteraria a essência dela. Nesse caso ou você escreve outra história ou segue em frente com ela sendo fiel a seus ideais.

Qual é sua sugestão de leitura para os fãs que ficaram órfãos de Harry Potter? (Além do seu livro, é claro. Risos)

Além do Vale dos Anjos rsrsrs, sugiro Percy Jackson e atualmente o livro jogos vorazes que chegou com muita força entre o público jovem! Boa Leitura e aguardo seus comentários!

Obrigada Leandro Schulai!
O que acharam?

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RESULTADO: Promoção frase favorita da série

Parabéns @VictorWinter!!

O Victor foi o vencedor da última promoção do blog Harry E Seus Fãs. A frase favorita dele é:

“É Levioooosa, não LevioSÁ”

Envie seu endereço completo para o e-mail harryeseusfasolivro@gmail.com até segunda-feira (9/5).

Fiquem ligados para mais novidades na última semana de atualização do blog!

Qual é a sua frase favorita?

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Dumbledore e Grindelwald

Olá!

O último dos trechos da entrevista feita Melissa Anelli com J.K.Rowling que não entrou no livro e vamos publicar aqui fala um pouco mais sobre a estranha relação entre Dumbledore e Grindelwald. Vejam o J.K.Rowling fala sobre ela.

E agora, como prometido… mais uma revelação! Eu gosto muito desta. Se eu tivesse estado na Escócia por dois dias somente para falar sobre os livros, nós teríamos passado os dois dias inteiros falando sobre o enredo e os temas e os personagens e o que aconteceu a cada um deles, quando e por que, e o que iria acontecer no futuro. Ninguém estava mais feliz do que eu em pesquisar este fenômeno e em fazer este trabalho de formiguinha que fiz, e ninguém ficou mais emocionado do que eu em conseguir a entrevista que eu estava obtendo sobre este assunto – mas havia momentos, muitos deles, como este, em que meu lado de fã vencia e eu mostrava curiosidade (e logo me sentia culpada e ia de volta ao trabalho real).
Este trabalho vem a ser como nós chegamos a Dumbledore e a sua relação com Grindelwald.
J.K.Rowling: Eu acho que ele [Grindelwald] era um usurpador e um narcisista e acho que alguém assim iria usar isso, usaria a paixão. Eu não acho que ele retribuiria dessa forma, embora ele fosse tão deslumbrado por Dumbledore quanto Dumbledore era por ele, porque ele se via em Dumbledore, “Meu Deus, eu nunca soube que havia alguém tão brilhante quanto eu, tão talentoso quanto eu, tão poderoso quanto eu. Juntos, nós somos imbatíveis!”. Então eu acho que ele aceitaria qualquer coisa de Dumbledore para tê-lo ao seu lado.
Melissa Anelli: Isso me lembra “Maligna” (livro de Gregory Maguire). Você já leu Maligna?
JKR: Não.
MA: Maguire reconta antigos contos de fadas e ele fez um livro muito cerebral sobre a Bruxa Malvada do Oeste e Glinda, e de como elas costumavam ser boas amigas.
JKR: É mesmo…
MA: É muito semelhante; ela foi em uma direção para lutar contra a injustiça e luta contra o feiticeiro, e Glinda foi em outra, para ser a figura política e jogar dentro do sistema. Realmente interessante.
JKR: Bem, é a velha ideia do anjo caído em alguns aspectos, não é? É Deus e Lúcifer.
MA: Eu queria lhe perguntar sobre isso, porque Grindelwald se assemelha – os cachos de ouro, a primeira pessoa que eu pensei foi Lúcifer.
JKR: Hum-hum. Então você pode chamar isso de um laço fraterno, mas eu acho que torna tudo mais trágico para Dumbledore. Eu também acho que isso torna Dumbledore um pouco menos culpável. Eu o vejo fundamentalmente como uma pessoa muito intelectual, brilhante e precoce, cuja vida emocional foi, por escolha própria, completamente subjugada pela vida da mente, e aí a sua primeira incursão no mundo das emoções é catastrófica, e acho que isso desorientou para sempre aquela parte da vida dele e a deixou invalidada, e por isso ele veio a ser o que se tornou. É isso que eu vi como o passado de Dumbledore. Foi sempre assim que eu vi o passado dele. E ele guarda uma distância entre ele mesmo e os outros por meio do humor, um certo distanciamento e uma frivolidade no jeito de ser.
Mas ele também é isolado pelo seu cérebro. Ele é isolado pelo fato de que ele sabe tanto, adivinha tanto, adivinha corretamente. Ele tem que jogar suas cartas próximas do peito porque ele não quer que Voldermort saiba o que ele suspeita. É terrível ser Dumbledore, realmente, no final ele deve ter pensado que seria muito melhor partir e apenas torcer para que tudo terminasse bem. [risos].
MA: Porque ele montou esse grande jogo de xadrez.
JKR: Hum, esse grande jogo de xadrez. Mas eu disse a Arthur, meu editor americano – nós tivemos uma conversa interessante durante a edição do livro sete – o momento quando Harry toma a varinha de Draco, e Arthur disse, “Deus, este é o momento em que a propriedade da Varinha Anciã é de fato transferida?”. Eu disse, sim, isso mesmo. Então ele perguntou, “isso não deveria ser um pouco mais dramático?”. E eu falei, não, de forma alguma, é o contrário. Eu disse a Arthur, eu acho que isso realmente coloca o elaborado e grandioso plano de Dumbledore e Voldermort no seu devido lugar. Aquela foi a história do mundo bruxo que dependia de dois adolescentes lutando um contra o outro. Eles não estavam nem mesmo usando magia. Acabou se tornando uma briga feia pela posse das varinhas. E eu realmente gostei disso – aquele momento muito humano, em contraponto àqueles dois bruxos que estavam contorcendo cordas e manipulando e plantando informações, e administrando e guardando informações.
Por fim acabou se resumindo a isso, uma pequena briga e troca de socos na esquina e a empurrar uma varinha para longe.
MA: Isso diz muito sobre o mundo em geral, eu acho, sobre conflitos no mundo, essas coisas pequenas.
JKR: E a diferença que um indivíduo pode fazer. Sempre, a diferença que um indivíduo pode fazer.

O que acharam?

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Promoção #HarryESeusFãs – Minha frase favorita

Olá!

Qual é a sua frase favorita da série Harry Potter?

Twitte até quarta-feira a frase com #HarryESeusFãs http://kingo.to/zzX e concorra a um exemplar do livro!

- RESULTADO: quinta, 5/5, às 15h
- Vocês podem twitar quantas frases vezes quiserem. Quanto mais frase, mais chances de ganhar
- O sorteio será feito através da ferramente Sorteie.me
- O vencedor deve residir no Brasil.

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Sobre medidas de segurança e uma razão para evitar um 8º livro

Confiram o trecho abaixo da entrevista de Melissa Anelli com a J.K.Rowling e divirtam-se.

Parte dessa entrevista entrou no livro porque me fez rir tanto que eu não pude me conter. E ela também se encaixou perfeitamente com o sentimento de paranóia de Jo sobre o uso que ela fazia da internet. Esta pequena preciosidade inclui a admissão dela de que, apesar dos avisos de segurança, ela usava a internet no mesmo laptop em que escrevia o livro – outra frase que me fez rir, desta vez porque o nível de sigilo era ridículo.
J.K.Rowling: “Será que eles tiraram isso do meu disco rígido?” Eu sou tão ignorante em relação a PC’s que costumava pensar, “Será que eles conseguem? Será que eles podem engatinhar pelos fios e conseguir isso? Fisicamente? Usando pequenas balaclavas?”
Toda vez que meu computador fazia coisas que computadores fazem, como travar ou algo parecido, essa ideia passava pela minha cabeça e eu pensava, “o que eu fiz?”
Nos estágios finais do sétimo livro, eu tirei tudo do meu PC completamente e estava somente no meu laptop, e ainda ressinto de ter pensado assim, mas este era o último livro, e eu queria muito que as pessoas o lessem no papel, e não através de um esquema ou trapaça. Então eu tive um pouco mais de cuidado com segurança no final.
Melissa Anelli: Então (seu computador) nunca esteve conectado à internet?
JKR: Sim. Quer dizer, não, não é verdade. Eu o conectei à internet – o que eu estou dizendo? [risos] Eu conectei. Mas eu encarei isso tudo com um pouco mais de reverência. Mas, na verdade, sim, eu conectei o computador à internet, então qual é a diferença? Oops. É tão bom ser capaz de dizer estas coisas agora.
MA: Deve ser um alívio…
JKR: Sim, é muito libertador. Eu não voltaria nunca por vontade própria àquilo. Definitivamente as pessoas vão achar isso difícil de acreditar. ‘Espera aí. Olha a grana que você fez.’ Quer saber? Eu não iria nunca querer viver com aquele tipo de estresse de novo. Eu sinto muita falta de escrever Harry, mas ainda assim, de certa forma, o que me faz resistente à ideia de um oitavo livro ou oitavo romance é saber que estaria de volta àquela pressão.
As pessoas vão vomitar ao me ouvir dizer isso porque sei o quanto fui sortuda em conseguir ser publicada, e o quanto sou sortuda por ter conseguido esse sucesso, e agradeço a Deus todos os dias por isso. Escritores não publicados de todos os lugares vão jogar coisas no meu livro se eles lerem isso, mas ainda assim… eles não viveram com o estresse disso tudo. Em alguns momentos, era uma pressão enorme.”

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Seabottom e as “Relíquias de Hogwarts”

Você já teve curiosidade sobre que outros títulos J.K.Rowling cogitou usar no sétimo livro? Se sim, vão gostar do trecho da entrevista que a Melissa Anelli fez com a J.K.Rowling, mas que não deu para entrar no livro.

Se você alguma vez já fez uma entrevista longa – algo como oito ou doze horas mais ou menos – você sabe que vez ou outra algum detalhe escorrega na conversa como se ele sempre pertencesse àquela entrevista. O entrevistado acha isso um fato relativamente não surpreendente de revelar, e o entrevistador, envolto em tantos outros detalhes, aceita isso como um fato relativamente não surpreendente também. Ou talvez ele confunda isso com algo que ouviu antes.
Então, enquanto folheava ocasionalmente a entrevista de J.K. Rowling, eu me dei conta de que tinha, ali, um trabalho prévio de título para Harry Potter e as Relíquias da Morte, e eu não tinha me tocado. Não é uma revelação que fãs que seguem notícias de perto irão achar surpreendente – na verdade, estava na lista de potenciais títulos – mas Sue e eu já queimamos nossos neurônios tentando provar para nós mesmas que estávamos erradas, e até agora não conseguimos (se você puder, por favor, faça): eu estou bem certa de que JKR não confirmou isso como um ex-título de trabalho em outro lugar antes. Só estava nas listas de potenciais títulos que pretendiam ser estratégicos.
Neste ponto da entrevista, nós estávamos falando sobre a Seabottom, uma companhia falsa que fez com que eu e todo mundo no Leaky ficássemos mais espertos no quesito rumores e boatos. De vez em quando alguma marca registrada iria aparecer, uma lista completa delas, que parecia ter títulos muito prováveis de Harry Potter nelas – Harry Potter and the Green Flame Torch (Harry Potter e a tocha da chama verde), Harry Potter and the Mudblood Revolt (Harry Potter e a revolta dos sangues-ruim), etc. Nós especulamos durante um bom tempo de onde estes nomes poderiam estar vindo – eram eles apenas fantasmas, esperanças de possíveis registros por fãs, estavam vindo de alguma companha montada pela Warner Bros. que simplesmente registraram títulos de rumores, em caso de alguém tentar fazer dinheiro com eles? Eram eles os nomes de futuros videogames e jogos de tabuleiros? Nós sabíamos que alguém “de dentro” estava fazendo isso, porque títulos bem precisos apareceram entre eles, mas ainda assim permaneceu um quebra-cabeças misterioso entre o núcleo de fãs que se divertiam com a caça.
Eu tentei não ser tão implicante quando Jo disse que ela e a WB tinham estado por trás da companha e seus registros, somente porque nós realmente deveríamos ter nos dado conta disso e, em retrospecto, isso parecia muito óbvio.
E daí parecia que Harry Potter e as Relíquias de Hogwarts era um título com o qual trabalhávamos. Repare em todos aqueles “H’s”. Talvez ela não o tenha escolhido pela mesma razão que eu quase não escolhi Harry e seus fãs (Harry, a history, em inglês) – é realmente difícil permitir todos aqueles “H’s” rolarem de sua língua. Eles de certa forma… não rolam. No entanto, com prática, todas as coisas são possíveis, e eu acredito que todos nós teríamos nos acostumado a isso graças a uma enorme blitz da mídia antes da publicação.
Leia!
J.K.Rrowling: Eu não sei quem tramou [a Seabottom], mas deve ter sido um advogado em algum lugar.
Melissa Anelli: Havia muita especulação – que a Seabottom é esta companhia que faz videogames hoje…?
JKR: Não.
MA: Foram vocês?
JKR: Foi, porque nós tínhamos que encontrar um jeito de manter alguma confusão lá fora e funcionou. Eu não acho nem que havia uma companhia fazendo isso, eu acho que havia várias frentes criando títulos [Um delas era chamada “Stone Connect”]. E parece que havia outras também.
MA: Só para encobrir, confundir a questão?
JKR: Sim. Assim que soubemos que iria aparecer no site, nós precisamos manter uma certa confusão em torno do assunto para aquelas poucas horas que restavam antes que nós liberássemos o material.
MA: Um deles foi Relíquias de Hogwarts.
JKR: Sim, bem, todos aqueles títulos eram meus.
MA: Você enviou uma lista.
JKR: Sim, eu enviei uma lista de títulos possíveis, incluindo o real. Relíquias de Hogwarts por muitos anos iria ser o título do sétimo, e estava errado, somente errado.
MA: Elas não são todas de Hogwarts.
JKR: Exatamente. Mudou completamente, então Relíquias da Morte era definitivamente o caminho certo a seguir. Eu gosto do título de Relíquias da Morte.
MA: Algumas pessoas disseram que era você se voltando contra pessoas que criticaram seu uso de advérbios.
JKR: [Risos] Sim, eram cerca de 12 advérbios no título final. Eu amo um advérbio.
O Leaky noticiou, em 2006, que o título Harry Potter e as Relíquias de Hogwarts apareceu pela primeira vez no escritório de registro de marcas e patentes do Reino Unido em 2003, registrado pela Seabottom.
Aqui está outra lista de potenciais títulos da notícia do Leaky; coloque “Harry Potter e o/a”na frente de cada:
Coração de Ravenclaw (Heart of Ravenclaw);
Relíquias da Morte (Deathly Hallows);
Véu mortal (Deadly Veil);
Espada do Demônio (Demon’s Sword);
Caçada da Serpente (Quest of the Serpent);
Dama cinza (Grey Lady);
Herdeiro de Gryffindor (Heir of Gryffindor);
Cetro Perdido (Lost Sceptre);
Varinha Quebrada (Broken Wand);
Desafio de Gryffindor (Gryffindor Quest);
Desafio de Peverell (Peverell Quest);
Varinha de Gryffindor (Wand of Gryffindor);
Anel do Destino (Ring of Destiny);
Varinha Anciã (Elder Wand);
Vingança de Dumbledore (Revenge of Dumbledore);
Marcha dos Comensais da morte (March of the Death Eaters);
Retorno do Lorde das trevas (Return of the Dark Lord);
Maldição de Nagini (Curse of Nagini);
Última Profecia (Last Prophecy);
Relíquias de Hogwarts (Hallows of Hogwarts);
Revolta dos sangues-ruim (Mudblood Revolt);
Sétima Horcrux (Seventh Horcrux);
Varinha de Grindelwald (Wand of Grindelwald);
Maldição Final (Final Curse).
Quais são os seus favoritos? Eu pessoalmente gosto de Vingança de Dumbledore. Eu consigo vê-lo todo mofado, saindo da cripta, com um dedo apontado em acusação a Snape (na verdade, eu consigo ver Jo vendo isso como uma opção totalmente ridícula para o final da história dela, e rindo ao descartar o título). Eu também amo o Anel do Destino pela óbvia ligação de Senhor dos Anéis, e o Herdeiro de Gryffindor pela mais popular e mais banal teoria dos fãs, a que circulou por sete anos sólidos.
(p.s.: a razão pela qual eu não publiquei a entrevista inteira é que, francamente, de 100 páginas, parte alguma das 100 páginas é legível – e se eu digo isso, sobre uma entrevista com JKR, você sabe que é verdade. Neste tipo de entrevista, do tipo que se alonga confortavelmente sem restrições de tempo, existe muita conversa leve, indo e voltando, sendo guiada cuidadosamente em vez de fazer exigências definitivas. É mais como uma conversa. E eu sei que para um fã isso é suficiente, mas não é realmente um documento adequado para publicação agora, embora eu esteja feliz em continuar cavucando isso para extrair o que há de melhor. Eu devo conseguir transformar isso em alguma coisa legível um dia)
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